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terça-feira, 23 de outubro de 2018

O frio que aquece


Não consigo mais imaginar
O desenho das nuvens no céu
O azul do céu está tão escuro
Mesmo num dia ensolarado

O calor do verão
Queima minha alma
O verde do campo
Não é mais o mesmo

O silêncio é o único grito
De salvação do poeta
Esse silêncio é barulhento
Atrapalha e queima o coração

Nada é como outrora
Só quero novamente
Aquele frio do inverno
Para aquecer a alma

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A morte que te cerca


Inaceitável vê-la apenas
Nos meus sonhos
Antes seria morrer
Para cair no esquecimento

Espero por este momento
Em que poderei viver
Sem olhar para os céus
Encerrando meus punhos

A estrela de menor magnitude
Com toda sua infinidade
Jamais será vista
Será aos poucos esquecida

Quando o sol bater no horizonte
Tu também irás findar
E eu entregarei moedas a Caronte
Onde tu irás me abandonar

terça-feira, 9 de outubro de 2018

A fonte da Juventude


O temido verão chegou
Foi quando percebi
Que tinha
Te perdido

O meu cálice sagrado
Está vazio
Antes cheio
Com teu precioso sangue

Como minha caneta
O vermelho do teu sangue
Era tão vivo
Minha fonte da juventude

Minha pálida face
Fica parada ali admirando
O teu quadro
A pintura da vida!

Só teu sangue
Liberta minha alma
Pecadora por te amar
Como ninguém nunca te amou!


domingo, 16 de setembro de 2018

O tempo medroso


Se em meu olhar
Conseguisse capturar momentos
Recordaria todos dias
Da tua imagem

Queria poder revê-la
A cada minuto triste
Onde meu pensamento
Viajasse até você

O tempo é bipolar
Sendo mais inimigo que amigo
Do homem apaixonado
Ah... o tempo

Tenho medo do dia
Em que chegará
Ofuscada a tua lembrança
Não conseguindo lembrar de ti

Tenho medo do dia
Em que o único lugar
Em que possa te visitar
Seja em seu túmulo

Mas não tenho medo
De ser enterrado
Onde meu sonho nasceu
Ao lado teu!

sábado, 23 de junho de 2018

Pela treva do espírito aventurei-me

Se naquele teu momento enfermo 
Eu pude tocar teu rosto
Ardendo em febre
Com tuas bochechas vermelhas

Pude olhar naquele instante
O fechar dos teus olhos á luz
Eles a deixavam devagar
Assim como a alegria dos dias

Um dia pude desfrutar
Deste teu sorriso dourado
O brilho reluzente do teu olhar
O negror da noite é tua visão agora

Me lembro quando te apresentei
Aquele céu encantado de estrelas
Onde te apresentei ao amor
E agora tu me apresenta a morte

Findou teu tempo
As estrelas não existem mais
A luz deixou teus olhos
Deixou os meus também!.

sábado, 12 de maio de 2018

A bailarina dos meus Sonhos

Eu sempre a observava 
De canto de olho
Sempre encantado com sua beleza
Encantado com aqueles passos

Tão bela quanto a música
A valsa das flores
Aquela beleza toda dela
Ah... se Tchaikovsky a visse

Mas o triste poeta a viu primeiro
Conseguia ver a raiz dourada do cabelo
Preso naquele rabo de cavalo
Ela era bela e alta

Tão delicada quanto a flor
Que envolvia sua orelha
Tão delicada quanto a doce melodia
Que menina!

Eu admirava-a tanto
Como eu admiro a morte!
A pontinha dos pés
Todo aquele público

Mas eu só a queria para mim
Ficar de ponta dos pés
Naquele uniforme
Uniformemente perfeito

Toda métrica do movimento
Aquela música ao fundo
Deixava-me encantado 
Parece estar sonhando com ela 

Aquele rosa e branco da roupa
Ela contudo
Nunca me viu
Mas eu sempre a via

Eu via o suor em sua testa
Nervosa com todo aquele público
Eu via o suor em seus braços
Querendo fazer a apresentação perfeita

A pele dela era tão limpa
Sem marcas ou rugas
Seus lábios vermelhos
Como o sangue que sai dela

Seus braços nus
Apontado para o alto
Querendo pegar uma estrela
Do triste céu

A cor de seus castanhos olhos
Me lembrava a menina
Dos sonhos meus
Toda noite

Seus cabelos dourados
Não eram compridos
Mas o suficiente para combinar
Com o rabo de cavalo

Eu, contudo, nunca a vi
Sorrindo
Sempre com certo ar de tristeza
Essa tristeza me encantava !

Aqueles olhos grandes e tristes
Quando parecia sair uma lágrima
Ela apenas fechava os olhos
E pensava em tudo...

Quando fecho os olhos a noite
Também tranco minha caixa
A caixa de música
Com aquela menina sempre dançando!


terça-feira, 10 de outubro de 2017

A pele em que habito


Essa podridão queima minha face pálida
A carne lateja a dor crescente
O último riso sem lembrança
A podridão se espalha
A dor aumenta
O sofrimento acaba
E a morte acalma

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A Alma


A casa está vazia
Foi-se o Amor divino
A alma vazia escurece o céu
A lua prateada assusta nossos olhares
A alma vazia perde-se a tanto pecado
O negror da noite se espalha
Em meio a tantas almas vazias

terça-feira, 18 de julho de 2017

O desenho saudade


Quero uma tela branca
Vazia como minha alma
Leve como meus pensamentos
Cheia de sentimentos

Quero uns pincéis
Das cores da alma e do amor
Vermelho, Azul, Roxo, Amarelo
Enfim quero cores e flores

Quero expressar na tela
Meus sentimentos por ti
Enfim com os pincéis em mãos
Que comece a arte!

Cada traço do desenho
Uma lágrima caída
Quanto mais forma pegar
Mais cego vou ficar

Não acredito
Não sei desenhar
Só sei escrever
O quanto tu me faz falta!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A Fraulein


Lembro de sua sombra sob o lago
O vermelho do fim de tarde
Começava a surgir

Ao norte as brancas estrelas
Começavam a surgir no horizonte azul
Estavas bela

Teus lindos cabelos dourados
Fazendo sincronia com o vento nu
O que estavas esperando, ó Donzela?

Um Adeus a quem já morreu?
Os galhos marrons das árvores
Caiam no chão melancólico

Olhaste para mim
Com um sorriso belo e irônico
Ao fim, chegou o negror da noite

Durmas minha Donzela
Caíste no esquecimento dos outros
Por fim, foi-se o dourado dos dias!